• amandawviola

Comida de verdade e a culpa

Vamos falar da culpa? Aquela culpa de sentir prazer ao comer... não sei se você já parou para pensar nisso, mas quanto de nossas escolhas (alimentares) são norteadas pela culpa e, consequentemente, pelo medo?


Não é difícil perceber porque nos sentimos culpados a maior parte do tempo. Podemos nos sentir culpados por não conseguir enfrentar determinadas situações, por não atingir nosso potencial, por não ter aquele corpo escultural.


Sentimos culpa quando bebemos cerveja no meio da semana, comemos sobremesa ou repetimos um prato. Culpados por curtir a vida. Culpados pelo prazer ... E a base para grande parte da culpa é o medo que todos carregamos na cabeça: medo de falhar quando baixarmos a guarda, de fazer besteira quando relaxarmos..

Um medo leva a outro, que alimenta mais outro, num ciclo que esgota nossa energia.


Na hora de escolher o que comer, não é diferente, vivemos o paradoxo do prazer: entre prazer e a busca pela saúde. E entre essas duas dimensões vivenciamos culpa e medo.

Você pode aproveitar a vida e ter prazer, mas para fazer isso de forma correta, não pode comer muito, não pode comer glúten, não pode colocar açúcar no café...Isso pode e isso não pode. O prazer é tolerado e exigido, mas com a condição de que seja saudável, que não ameace nossa estabilidade psíquica ou biológica.

Sazonalidade, cultura, localidade, ajuste territorial são conceitos que na maioria das vezes são desconsiderados na identificação de uma alimentação saudável.


Alimentos tradicionais e verdadeiramente naturais vem sendo demonizados por premissas cientificas especulativas e reducionistas que desconsideram o todo.

A lista de alimentos proibidos só aumenta.


De modo geral, muitas "dietas saudáveis" (até as prescritas por especialistas) são restritas em um monte de alimentos. Ninguém põem; todo mundo tira. Não pode açúcar, não pode ovo, glúten, álcool.

São formas de comer desconectadas da vida real e desconectadas da dimensão sociocultural e ambiental que levam a uma separação entre o prazer e o comer.

E o comer, esse ato cotidiano prazeroso, se tornou uma complexa ação reflexiva cheia de angustia e duvidas.

E ai, você come com culpa ou come bem?




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